A DESCOBERTA DO PRIMEIRO QUEBRA-CABEÇA!
———🧩———
— primeira parte —
Vocês já se perguntaram quem foi a primeira pessoa diagnosticada com autismo?
Para respondermos essa perguntar, vamos voltar algumas décadas atrás, mais precisamente em 8 de setembro de 1933, em uma pequena cidade do estado de Mississippi, chamada Forest. Lugar onde nosso protagonista nasceu, cresceu e viveu por praticamente toda vida. Donald Triplett, deste pequeno, se mostrou uma criança muito inteligente. Sua memória permitia lembrar de eventos que ocorreram ainda em seus dois anos idade. Aprendeu muito cedo a recitar de cabeça o salmo 23, perguntas e respostas do catecismo presbiteriano, canções que sua mãe havia cantado uma única vez, e até mesmo a ordem das miçangas que seu pai colocava em um cordão.
Mas, ainda em sua infância, seus pais notaram que ele se diferenciava das demais crianças. Apresentando interesses específicos por números e letras do alfabeto. Também passava longos períodos observando ou girando objetos circulares, como panelas e cubos. Sua comunicação também se desenvolveu de formas distintas. Costumava responder apenas com “sim” ou “não” e usava palavras incomuns, invertendo os pronomes ao se referir a si mesmo. Seus pais relatavam grande dificuldade em fazê-lo comer, indiferente até mesmo com alimentos que normalmente atraiam as crianças, como doces e sorvetes.
Ao completar seus três anos de idade, Donald foi internado em uma instituição. Naquela época não se tinha compreensão sobre o transtorno, e crianças com esses comportamentos incomuns eram frequentemente institucionalizadas. Seus pais, Beamon e Mary Triplett o visitaram regularmente durante um ano, e percebendo que seu filho passava boa parte do tempo apático, imóvel e extremamente retraído, decidiram leva-lo de volta para casa.
🧩O Retorno
Ao regressar, nosso protagonista esteve cercado pelo apoio de sua família e posteriormente, pela comunidade de Forest. Tornando esse evento um dos mais importantes de sua infância, pois assim, Donald pode ter uma vida saudável. Diversos historiadores da época, disseram que a combinação do suporte familiar, estabilidade financeira e aceitação social, foi fundamental para que ele desenvolvesse autonomia e tivesse uma vida extremamente independente para os padrões da época.
Sua melhoria foi gradual, mas extremamente satisfatória. Donald tornou-se mais atento ao ambiente e desenvolveu aos poucos novas habilidades, como tocar melodias simples no piano. Ainda assim, apresentava sintomas típicos do autismo, como interesses fortes em determinados assuntos e crises ocasionais.
🧩A Fazenda
Após acompanhar Donald por alguns anos, Leo Kanner, psiquiatra e um dos pioneiros da medicina infantil moderna, sugeriu uma experiência incomum para a época: ao invés de mantê-lo apenas em casa ou em instituições, Donald deveria se afastar da pressão constante dos ambientes urbanos e viver alguns anos em uma fazenda da família, localizada a cerca de 16 quilômetros de Forest. O objetivo era colocá-lo em um ambiente previsível, tranquilo e repleto de atividades práticas, onde pudesse desenvolver autonomia e independência.
Aos nove anos de idade, Donald passou a realizar atividades nessa fazenda, envolvendo uma maneira curiosa que os proprietários encontraram de aceitar sua chegada. Ao invés de tentar mudar seu jeito de ser, eles direcionaram sua atenção aos interesses específicos de Donald, como contar fileiras de milho, medir terrenos e ajudar em outras tarefas agrícolas. Donald foi morar com um casal sem filhos, conhecido como os Lewis. Eles não tinham formação em psicologia nem em psiquiatria, mas adotaram uma abordagem extremamente intuitiva: em vez de combater seus interesses incomuns, decidiram utilizá-los como ferramenta de aprendizagem, instigando o pequeno Donald a realizar atividades rotineiras que desenvolvesse suas aptidões.
Donald demonstrava fascínio por números, medidas e contagens repetitivas. Os Lewis perceberam isso rapidamente. Quando era necessário cavar um poço, pediam que Donald medisse e registrasse sua profundidade. Quando ajudava na lavoura, ele contava as fileiras de milho enquanto conduzia o arado. Aquilo que normalmente era visto como uma obsessão passou a ter uma função útil no dia a dia da fazenda.
O próprio Leo Kanner viajou ao Mississippi para observar o progresso de Donald. Segundo seus relatos, ficou impressionado com a forma como o casal havia compreendido suas necessidades. Kanner escreveu que eles haviam conseguido lhe dar "objetivos apropriados" e descreveu com admiração a habilidade de Donald ao conduzir um cavalo e um arado durante o trabalho no campo. Donald permaneceu aproximadamente quatro anos na fazenda. Quando retornou, ingressou na escola local e deu continuidade aos estudos, algo extremamente incomum para muitas crianças autistas da época. Essa experiência é frequentemente apontada como um dos fatores que contribuíram para sua autonomia na vida adulta.
———🧩———
E essa foi a primeira parte da história do nosso primeiro quebra-cabeça! Em breve trago a continuação! Muito obrigado a todos os leitores, e até a próxima! :D
